Às 6h40 da manhã, o ponto na Avenida Amazonas já reúne fila de quem segue para a região Centro-Sul. Com o reajuste tarifário aprovado em maio, o bilhete único de Belo Horizonte passou de R$ 5,25 para R$ 5,50 — e a integração ônibus-metrô, quando usada corretamente, continua valendo por 90 minutos, mas exige atenção ao horário de baldeações.
O Caderno Parcela passou três dias ouvindo passageiros na região leste, no Barreiro e no entorno da Estação Eldorado. Para quem faz duas conexões por dia, cinco dias por semana, o aumento parece pequeno no bilhete e grande no mês.
Conta no fim do mês
Juliana, auxiliar administrativa que mora no Barreiro e trabalha no Savassi, gasta dois ônibus e um metrô em cada sentido. Antes do reajuste, reservava cerca de R$ 210 por mês em vale-transporte; agora calcula R$ 228. "Não parece nada no bilhete, mas no fim do mês falta para a conta de luz", diz.
O sindicato das empresas de transporte argumenta que o reajuste cobre diesel e manutenção. Já associações de moradores pedem ampliação da integração e mais linhas expressas nos horários de pico — demandas antigas que voltam a cada revisão tarifária.
Transporte não é só deslocamento — é o que sobra do salário depois que você chega ao trabalho.
Integração: o que funciona
A regra de 90 minutos permite trocar de ônibus ou combinar ônibus e metrô pagando uma tarifa, desde que a segunda viagem comece dentro da janela. Na prática, atrasos de baldeações — especialmente na região leste — fazem muita gente pagar duas vezes sem querer.
Carlos, técnico de manutenção, aprendeu a consultar o aplicativo da BHTrans antes de sair. "Se a linha 210 está atrasada mais de dez minutos, eu já sei que vou estourar a integração e pego outro caminho", conta. Ele estima economizar cerca de R$ 35 por mês só com esse hábito.
Quem não tem alternativa
Nem todo mundo pode escolher rota. Dona Lourdes, 71 anos, vai três vezes por semana ao hospital na região hospitalar com um ônibus direto — sem metrô no trajeto. O reajuste atinge sem margem de manobra. "A aposentadoria não acompanha", afirma.
Comerciantes próximos a pontos movimentados relatam queda leve no consumo de café e lanche da manhã. "O passageiro comprava pão na padaria antes de embarcar; agora muitos levam de casa", diz o dono de uma padaria perto da Estação Carlos Prates.
O que muda a partir de julho
Segundo a BHTrans, a partir de 1º de julho entram em vigor ajustes na sinalização de integração em 12 pontos da região leste e testes de bilhetagem por aproximação em linhas selecionadas. A pasta de mobilidade promete campanha explicativa nos terminais — algo que passageiros ouvidos pedem há anos em linguagem simples, não só em cartaz técnico.
Na atualização desta matéria, a prefeitura confirmou que estudistas do ensino público municipal continuam com gratuidade no ônibus — medida que alivia parte das famílias, mas não cobre o deslocamento de quem trabalha e estuda fora do horário escolar.